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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Chesterton e a loucura.

Extraído do livro Ortodoxia, de Chesterton:

"A imaginação não gera a insanidade. O que gera a insanidade
é exatamente a razão. Os poetas não enlouquecem; mas os
jogadores de xadrez sim. Os matemáticos enlouquecem, e os caixas;
mas isso raramente acontece com artistas criadores. Como se verá,
não estou aqui, em nenhum sentido, atacando a lógica: só afirmo
que esse perigo está na lógica, não na imaginação. A paternidade
artística é tão sadia quanto a paternidade física. Além disso, vale a
pena observar que, quando um poeta foi realmente mórbido, o fato
geralmente se deu porque ele tinha um ponto fraco de
racionalidade no cérebro.
(...)
A última coisa que se pode dizer de um
lunático é que suas ações são sem causa. Se algum ato humano
qualquer pode grosso modo ser chamado de sem causa, trata-se de
um ato menor de um homem sensato: assobiar andando por aí,
golpear o capim com uma bengala, bater os calcanhares no chão
ou esfregar as mãos. O homem feliz é que faz coisas inúteis; o homem doente não dispõe de força suficiente para ficar sem fazer nada.
(...)
Todos os que tiveram a infelicidade de conversar com gente à
beira ou no meio da desordem mental sabem que a qualidade mais
sinistra dessa gente é uma clareza enorme de detalhes; a conexão
de uma coisa a outra num mapa mais elaborado que um labirinto.
Se você discutir com um louco, é extremamente provável que
leve a pior; pois sob muitos aspectos a mente dele se move muito
mais rápido por não se atrapalhar com coisas que costumam
acompanhar o bom juízo. Ele não é embaraçado pelo senso de
humor ou pela caridade, ou pelas tolas certezas da experiência. Ele
é muito mais lógico por perder certos afetos da sanidade. De fato, a
explicação comum para a insanidade nesse respeito é enganadora.
O louco não é um homem que perdeu a razão. O louco é um
homem que perdeu tudo exceto a razão.
"

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